"Se trabalharmos para polir o latão, o tempo embaçará o seu brilho. Se construirmos templos, eles desmoronarão. Mas, se nos dedicarmos a burilar almas imortais, se as impregnarmos de bons princípios, com o justo temor do Criador e com amor pela humanidade, estaremos gravando nelas algo que brilhará por toda a Eternidade".

Daniel Webster
Jesus Está Voltando. Prepara-te para estar com ELE!!!

domingo, 5 de janeiro de 2014

Prefiro fazer nada com Você a alguma coisa sem Você

 
Amando as pessoas às quais você está ligado
 
Um Coração que Perdoa

Todo o texto abaixo foi retirado do livro “Um Coração Igual ao de Jesus” (Max Lucado, Cap. 2, Ed. Thomas Nelson
 
Meu primeiro animal de estimação veio em forma de um presente de Natal na infância. Em algum lugar eu tenho uma fotografia de um pug chinês marrom e branco, pequeno o suficiente para caber na mão do meu pai, fofo o suficiente para roubar meu coração aos meus oito anos de idade. Nós a chamamos Liz.

Eu a carregava o dia inteiro. Suas orelhas molengas me fascinavam, e seu nariz chato me intrigava. Eu a levava até mesmo para a cama. Qual o problema de ela cheirar como cachorro? Eu achava que o cheiro era fofo. Qual o problema de ela ganir e choramingar? Eu achava o barulho fofo. Qual o problema de ela fazer as necessidades em meu travesseiro? Não posso dizer que eu achava isto fofo, mas não me importava.

Mamãe e Papai deixaram claro em nosso acordo pré-nupcial que eu cuidaria de Liz, e eu estava feliz em obedecer. Limpava seu pratinho e abria sua lata de comida para filhotes. No momento que ela terminava com a agua, eu reabastecia. Mantinha seu pelo escovado e sua cauda balançando.

No entanto, em poucos dias meus sentimentos haviam mudado um pouco. Liz ainda era a minha cadela, e eu ainda era amigo dela, mas fiquei cansado do seu latido, e ela me parecia faminta com muita frequência. Mais de uma vez meus pais tiveram que lembrar-me: “Cuide dela. Ela é sua cadela”.

Eu não gostava de ouvir estas palavras, “sua cadela”. Eu não teria me importado com a frase “sua cadela para brincar”, ou “sua cadela quando você a quiser”, ou “sua cadela quando ela estiver comportada”. Mas estas não eram as palavras dos meus pais. Eles diziam: “Liz é sua cadela”. Ponto final. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. No seco e no molhado.

Foi quando me ocorreu: estou preso à Liz. O namoro havia acabado, e a lua de mel havia terminado. Estávamos mutuamente amarrados. Liz passou de uma opção à um obrigação, de um bichinho de estimação a uma tarefa, de alguém para brincar a alguém para cuidar.

Talvez você consiga se identificar. Existe a chance de você ter conhecimento de claustrofobia que vem com o comprometimento. Só que em vez de ser lembrado: “Ela é sua cadela”, lhe dizem, “Ele é seu marido”. Ou “Ela é sua esposa”. Ou “Ele é seu filho, seu pai, empregado ou chefe ou colega de quarto”, ou qualquer outra relação que requeira lealdade para sobreviver.

Alguns decidem fugir: sair do relacionamento e começar novamente em outro lugar, embora sejam frequentemente surpreendidos quando a condição também aparece do outro lado da cerca. Outros lutam. A casa se transforma em uma zona de combate e o escritório se torna um ringue de boxe, e a tensão se torna forma de vida. No entanto, poucos descobrem outro tratamento: O PERDÃO (grifo meu). Meu manual não tem modelos de como acontece o perdão, mas a Bíblia tem.

O próprio Jesus conhecia o sentimento de estar ligado a alguém. Por três anos ele andou com o mesmo grupo. Geralmente, via a mesma dúzia de rostos sentados à mesma, em volta da fogueira, ininterruptamente. Tomavam os mesmos barcos e andavam pelas mesmas estradas e visitavam as mesmas casas, e eu me pergunto: como Jesus se manteve tão devotado aos seus homens? Ele não apenas tinha que lidar com suas estranhezas visíveis, como também com suas fraquezas invisíveis. Pense sobre isso. Ele podia ouvir seus pensamentos não ditos. Conhecia suas duvidas pessoais. Não apenas isso, ele sabia quais seriam suas duvidas futuras. E se você soubesse cada erro que as pessoas que você ama houvessem cometido e cada erro que ainda cometeriam? E se soubesse cada coisa que pensariam sobre você, cada irritação, cada descontentamento, cada traição?

Foi difícil para Jesus amar Pedro, sabendo que um dia Pedro o amaldiçoaria? Foi difícil confiar em Tomé que questionaria a ressurreição de Jesus? Como Jesus resistiu ao impulso de recrutar um novo grupo de seguidores? João queria destruir o inimigo. Pedro cortou fora a orelha de outro. Dias antes da morte de Jesus, os discípulos discutiam qual deles era o melhor! Como ele foi capaz de amar pessoas que eram difíceis de serem amadas?

Poucas situações geram pânico como estar preso a um relacionamento. Por essa razão, acho sábio que comecemos nosso estudo sobre o que significa ter um coração igual ao de Jesus pela ponderação de seu coração de perdão. Como Jesus foi capaz de amar seus discípulos? A resposta é encontrada no décimo terceiro capitulo de João.

Com toalha e bacia
 
De todos os momentos em que vemos os joelhos dobrados de Jesus, nenhum é tão precioso quanto aquele em que ele se ajoelha diante de seus discípulos e lava os seus pés.
 
Foi um dia longo, Jerusalém está lotada de convidados pascais, muitos dos quais clamam por uma olhada do Professor. O sol de primavera está quente. As ruas estão secas. E os discípulos estão muito longe de casa. Um esguicho de agua seria refrescante.
 
Os discípulos entram, um por um, e tomam seus lugares ao redor da mesa. Na parede uma toalha está pendurada, e no chão repousa um jarro e uma bacia. Qualquer um dos discípulos poderia se oferecer para o trabalho, mas nenhum o faz.
 
Depois de alguns momentos, Jesus se levanta e remove sua capa. Ele enrola uma cinta de servo em volta da cintura, pega a bacia, e se ajoelha diante de um de seus discípulos. Ele desamarra uma sandália e gentilmente levanta o pé e o coloca dentro da bacia, cobre-o com agua e começa a lava-lo. Um a um, um pé encardido após o outro, Jesus faz seu trabalho até terminar a fila.
 
Na época de Jesus, lavar os pés de alguém era uma tarefa reservada não apenas para servos, mas para as castas mais baixas de servos. Todo circulo tem sua ordem hierárquica, e o circulo dos trabalhadores domésticos não era diferente. Era esperado que o servo da base da pirâmide estivesse de joelhos com a toalha e a bacia.
 
Você pode ter certeza que Jesus conhece o futuro destes pés que ele está lavando. Estes 24 pés não passarão o dia seguinte seguindo o mestre, defendendo a sua causa.. estes pés correrão por segurança ao reluzir de uma espada romana. Apenas um par de pés não irá abandoná-lo no jardim. Um discípulo não ira desertar em Getsêmani – Judas não chegará a ir tão longe! Ele abandonará Jesus nesta mesma noite, à mesa.
 
Procurei por uma tradução da Bíblia onde se lesse: “Jesus lavou os pés de todos, exceto os de Judas”, mas não consegui encontrar uma. Que momento apaixonado aquele em que Jesus, silenciosamente, ergue os pés de seu traidor e os lava em uma bacia! Dentro de algumas horas os pés de Judas, lavados pela bondade daquele que ele trairá, estarão na corte de Caifás.
 
Eis o presente que Jesus dá para seus seguidores! Ele sabe o que estes homens estão prestes a fazer. Ele sabe que estão prestes a encenar o ato mais hediondo de suas vidas. Pela manhã eles irão enterrar as cabeças na vergonha e olhar para os pés com repugnância. E, quando fizerem isso, ele quer que eles se lembrem de como ele se ajoelhou diante deles e lavou seus pés. Ele quer que percebam que aqueles pés continuam limpos. “Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá” (João 13:7).
 
Extraordinário. Ele perdoou o pecado deles antes mesmo que o cometessem. Ofereceu misericórdia antes mesmo que a solicitassem.
 
Da bacia de sua graça.
 
Ah, eu nunca seria capaz de fazer isso, você contesta. A dor é muito intensa. As feridas são muito numerosas. Basta ver a pessoa que já me retraio. Talvez este seja o seu problema. Talvez você esteja vendo a pessoa errada, ou pelo menos, vendo muito da pessoa errada. Lembre-se, o segredo de ter um coração igual ao de Jesus é “ter os olhos fitos” nele. Tente olhar para longe daquele que o machucou e fixar os olhos naquele que o salvou.
 
“Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei exemplo, para que façam como lhes fiz”. (João 13:14.15)
 
Jesus lava os nossos pés por duas razões. A primeira é para nos dar misericórdia; a segunda para nos transmitir uma mensagem, e esta mensagem é simplesmente: Jesus oferece graça incondicional. A misericórdia de Cristo precedeu nossos erros; nossa misericórdia deve preceder os erros dos outros. Aqueles no circulo de Cristo não tinham duvidas de seu amor; aquele em nosso circulo não deve duvidar do nosso.
 
O que significa ter um coração assim? Significa ajoelhar como Jesus ajoelhou, tocando as partes encardidas das pessoas com as quais estamos ligados e lavando delas a indelicadeza com delicadeza. Ou como Paulo escreveu: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo” (Efésios 4:32).
 
“Mas Max”, você está dizendo, “Eu não fiz nada errado. Não sou aquele que traiu. Não sou aquele que mentiu. Não sou a parte culpada aqui”. Talvez você não seja. Mas Jesus também não era. De todos os homens naquela sala, apenas um era merecedor de ter seus pés lavados. E ele era aquele que lavou os pés. A genialidade do exemplo de Jesus é que o peso da construção de uma ponte sempre cai em cima do mais forte, e não do mais fraco. Aquele que é inocente é aquele que faz o gesto.
 
E você sabe o que acontece? Na maioria das vezes, se aquele que está do lado certo se oferece para lavar os pés daquele que está do lado errado, ambos de ajoelham. Não achamos todos que estamos certos? Logo, lavamos os pés uns dos outros.
 
Por favor, entenda. Relacionamentos não prosperam porque os culpados são punidos, mas porque os inocentes são misericordiosos. (Grifo meu)
 
O Poder do Perdão
 
Recentemente, compartilhei uma refeição om alguns amigos. Um marido e uma esposa queriam me contar sobre uma crise pela qual estavam passando. Por meio de uma série de eventos, ela ficou sabendo de um ato de infidelidade que ocorrera havia mais de uma década. Ele havia cometido o erro de pensar que seria melhor não contar para ela, então não contou. Mas ela descobriu, e como você pode imaginar, estava profundamente magoada. Seguindo as recomendações de um conselheiro, o casal largou tudo e viajou por vários dias. Uma decisão tinha que ser tomada. Eles se separariam, brigariam, ou perdoariam? Então eles oraram. Eles conversaram. Eles caminharam. Eles refletiram. Neste caso a esposa estava claramente do lado certo. Ela poderia ter ido embora. Mulheres já fizeram isso com menos motivos. Ou poderia ter ficado e fazer da vida dele um inferno. Outras mulheres fizeram isso. Mas ela escolheu uma resposta diferente.
 
Na decima noite de viajem, meu amigo encontrou um cartão sobre o travesseiro. No cartão estava impressa a frase: “PREFIRO FAZER NADA COM VOCÊ A ALGUMA COISA SEM VOCÊ” (grifo meu). Embaixo da frase ela havia escrito estas palavras: “Eu te perdoo. Eu te amo. Vamos seguir em frente”.
 
O cartão poderia muito bem ter sido uma bacia. E a caneta poderia ter sido um jarro de água, para fora dela derramou misericórdia pura, e, com ela, a esposa lavou os pés do marido.
 
Certos conflitos podem ser resolvidos apenas com uma bacia de agua. Existe algum relacionamento em seu mundo que está sedento de misericórdia? Existe alguém sentado ao redor de sua mesa que precisa ser assegurado de sua graça? Jesus assegurou que seu discípulos nunca duvidariam de seu amor. Por que você não faz o mesmo?

domingo, 11 de agosto de 2013

Derrubando Muralhas


Autor: Sancley Q. Silva

“[...] com o meu Deus, salto muralhas”. (2 Samuel 22:30b).

“As maiores barreiras e dificuldades não são aquelas que surgem diante de nós, mas sim aquelas que criamos dentro de nós”. (Sancley Q. Silva – 09.08.2013)

É maravilhoso escutar Deus sussurrar sua voz doce e suave em nossos ouvidos. Quem não se sente extasiado ao ouvir o som da voz do Criador? Faz nossos corações bater mais rápido e mais devagar, ao mesmo tempo. É um misto de sentimentos e reações, que somente àqueles que ouvem são capazes de sentir e minimamente descrever. Evidentemente, para que possamos escutar a voz de Deus faz-se necessário que tapemos os nossos ouvidos para todo e qualquer tipo de barulho externo, mas principalmente aqueles internos que circundam as nossas vidas.

Notadamente, posso afirmar que há dois tipos claros e exatos de barulhos. O primeiro tipo de barulho se refere ao produzido internamente. É aquele barulho que ecoa de dentro para fora. Este barulho é aquele que o diabo faz gerar em nossas mentes, em nossos corações e em nossos ouvidos.

O segundo barulho, por conseguinte, diz respeito ao barulho externo, isto é, aquele que nossos ouvidos físicos são capazes de perceber como, por exemplo, o barulho dos carros, das buzinas, gritarias e etc. Embora eu venha a falar dos dois, irei-me a ter apenas ao primeiro.

Como nos desenhos animados, de um lado há um anjinho, de asas e todo branquinho com uma aureola dourada acima da cabeça, dizendo que você é bom, que Deus o ama, que você é um vencedor, que é a obra prima da criação de Deus, que Cristo morreu pelos seus pecados, que não há mais separação entre o homem e Deus, pois assim que Cristo morreu na cruz toda e qualquer muralha e/ou barreira que separava foi destruída, jogada por terra. Do outro lado, por sua vez, há um “diabinho” de cor avermelhada, feio, de cauda comprida e com um tridente nas mãos, gritando exatamente o contrario de tudo aquilo que o anjinho está falando.

A ilustração, apesar de ser simplória, todos nós sabemos, é mais real e significativa do que muitos podem imaginar. De fato, o que vemos nos supostos inocentes e inofensivos desenhos animados infantis são um quadro pintado, com precisão cirúrgica, da realidade de cada dia que todo o ser humano vivencia.

Há muito tempo atrás, Deus me disse que há alguns lugares bem incomuns, inconvenientes e desconfortáveis, para o homem, que Ele (Deus) pode ser encontrado facilmente. Nestes lugares, podemos escutar a sua voz falando conosco de maneira tão clara e audível que sentimos a nossa alma sendo envolvida pelas suas palavras de calma e serenidade.

Na realidade, há uma passagem na Bíblia Sagrada que nos retrata um destes lugares. Em uma dada ocasião, o profeta Elias fugindo de Jezabel, esposa do rei Acabe, de Israel, se esconde dentro de uma caverna.

Em 1 Reis 17 Elias surge na história, cheio de coragem, ousadia e força profetizando contra Acabe, contra a adoração a Baal e outros deuses e contra os pecados de Jezabel. No capitulo 19, Elias está escondido e com medo, não parecendo aquele que há alguns instantes atrás havia desafiado e matado 850 falsos profetas, feito fogo descer do céu e consumir o holocausto.

O profeta, homem de Deus mostra-nos neste exato momento que ele, apesar de ter a unção, a autoridade e o poder de Deus em sua vida, também era feito de carne e osso, sujeito às mesmas dificuldades, fraquezas e limitações que nós. Todavia, ele está escondido e Deus pergunta o que ele estava fazendo dentro daquela caverna. Deus então faz passar um grande e forte vento (v.11), faz tremer a terra (v.11) e faz um fogo surgir diante dele (v.12), mas Deus não estava em nenhum destes três eventos.

Logo após estes eventos, a Bíblia relata que Elias pôde ouvir um “cicio tranquilo e suave” (v.12). A palavra “cicio” pode ser exemplificada e bem definida como o ou um barulho continuo e suave produzido pelas folhas de uma arvore.

Na verdade, Deus está dizendo ao profeta e a nós que o vento, o terremoto e o fogo são passageiros, mas a sua voz, as suas palavras permanecem para sempre, nos acalmam e nos dão a certeza de que Deus não nos deixa nem por um segundo se quer a sós (1 Reis 19:1.12).

Tudo aquilo que Deus promete, Ele cumpre. No livro dos Números no capitulo 23 e versículo 19 temos esta certeza. Também no livro de Josué, Deus nos dá toda a garantia de que Ele faz cumprir todas as suas palavras.

“Nenhuma promessa falhou de todas as boas [palavras] que o senhor falara à casa de Israel, tudo se cumpriu”. (Josué 21:45) (Grifo do autor)

Este, “a caverna”, lugar de desespero, choro, medo, solidão e angustia é um dos lugares onde somos capazes de perceber em alto e bom som a voz de Deus. Além da caverna há também os montes, que são lugares onde conseguimos notar o “cicio tranquilo e suave” de Cristo.

Frequentemente Cristo buscava ficar só, se afastar da multidão, das cobranças, das petições, e de todo barulho a fim de conversar com seu Pai e ouvir a sua voz.

"E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava Ele sozinho". (Mateus 14:23)

"Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava". (Lucas 5:16)

Como acima mencionado não é minha intensão descrever todos estes lugares um tanto incomuns onde podemos ouvir a voz de Deus. Tão pouco prender-me à discussão do barulho que Jesus comumentemente procurava evitar. Meu objetivo é retratar nesta mensagem que para ouvirmos a voz de Deus, é necessário estarmos longe do barulho, e este, refiro-me ao barulho interno, ou seja, ao barulho gerado dentro de nós.

No primeiro exemplo, o do Profeta Elias, notamos o barulho interno. No segundo exemplo, Cristo se retirando para o monte, sozinho, para orar, percebemos o barulho externo.

Aqui eu começo a mensagem. Neste exato momento começo a descrever sobre este enorme e inquietante barulho que o diabo gera dentro de nós e a consequente muralha que construímos devido a este barulho. 

Sim. Quando aquele “diabinho” que está em um dos lados de nossos ouvidos não para de falar e gritar coisas ruins que não são verdades, que somente nos faz sentirmos mal, depressivos e derrotados, quando damos ouvidos a tudo isto uma grande muralha cresce diante de nós.

É fato comprovado pela medicina que barulho em excesso além de incomodar, deixa àquele que foi exposto sem equilíbrio físico. Com isso, perde-se também o senso de direção e consequentemente passamos a julgar mal.

O cuidado com o excesso de barulho dentro de nós é tão relevante que usa-se em guerras algumas granadas que emitem um som tão agudo ao ponto de deixar o inimigo completamente desorientado momentaneamente. Tempo suficiente para ser alvejado pelo seu opositor.

Cada falso pensamento é uma granada que o deixa desorientado e um tijolo a mais na muralha que é erguida à sua frente. E cada vez que damos ouvidos a estes falsos pensamentos a muralha só vai crescendo e crescendo.

E foi exatamente isto que Deus suavemente, como um “cicio tranquilo e suave”, relatou aos meus ouvidos e ao meu coração. Ele me disse que:

“As barreiras que você constrói dentro de você, são muito maiores que as barreiras que de fato estão diante de você”.

Estas palavras ecoaram dentro de mim. E por isso resolvi relatar os pensamentos de Deus.

Aprendi que quando dou ouvidos ao diabo, quando dou lugar as palavras dele dizendo que não sou nada, que ninguém me entende, que não sou amado, quando escuto o diabo me dizendo que não vou conseguir, que não vou vencer, que sou um eterno fracassado, um completo rejeitado, um anormal, um ninguém, um qualquer, que ninguém se importa comigo, quando me permito levar pelos pensamentos de derrota dele, um a um os tijolos vão sendo postos pacientemente e a muralha vai se erguendo cada vez mais.

E à medida que vamos dando ouvidos, dia após dia, a muralha torna-se imensa em comprimento, altura e largura. Tornamo-nos fracos, insensíveis, incapazes de ouvir Deus, medrosos, vivendo em angustia, caindo em depressão e quando a muralha chega ao topo, perdemos a motivação de viver, a razão de viver, e assim nos matamos.

As muralhas que construímos nos impedem de prosseguir, de acreditar que Deus é capaz. Que Ele é por nós. As muralhas que construímos nos bloqueiam e nos engessa. Por ficarmos inertes, sem atitudes e sem ação, as muralhas que construímos com todos os falsos pensamentos do diabo nos levam à derrota e ao fracasso.

E foi escutando a voz Deus falar comigo, que aprendi com Davi a derrubar as muralhas.
 
Vejamos:

Quando Jessé, pai do jovem Davi, pede para que seu filho menor vá ao Vale de Elá (1 Samuel 17) visitar seus irmãos, saber de noticias dos mesmos e levar mantimento para eles, quando este chega no Vale e ouve a voz de afronta do filisteu Golias, que já ha 40 dias apresentava-se diante de Israel, buscando UM (1) que pelejasse com ele e a ninguém encontrava imediatamente corre à peleja (1 Samuel 17:22).

No exato momento que Davi corre à batalha aquele “diabinho” dos desenhos animados se apresenta ao pé do ouvido do jovem e começa a dizer que ele é pequeno demais, inexperiente demais.

O Primeiro Tijolo:

Seu irmão Eliabe o repreende e fica irado com ele. (1 Samuel 17:28)

Quando o “diabinho” tenta fazê-lo parar deixando seu irmão irado, Davi tem uma atitude surpreendente, que muito me ensina. Ele se desvia de seu irmão. Davi se desviou dos pensamentos contrários de seu irmão. Davi foi para longe das ideias ruins. (1 Samuel 17:30a)

O Segundo Tijolo:

O rei Saul o chama Davi de moço e de inexperiente. (1 Samuel 17:33)

Não é por acaso que o menor da casa de Jessé é conhecido como “O Homem Segundo o Coração de Deus”, pois a sua resposta aos pensamentos contrários do rei Saul lembram a mesma atitude que Cristo teve na tentação do deserto. Davi começa a relatar e a refutar as ideias contrarias do diabo.

Todas as vezes que o diabo tentava a Cristo, Ele [Cristo] relatava as escrituras, mais precisamente dizendo “está escrito” e “também está escrito”. Quando Saul diz que ele é moço e inexperiente, Davi começa a relatar os feitos de Deus em sua vida.

O inexperiente e ainda moço Davi começa a descrever para o “diabinho”, que o estava tentando desacreditar, as vitórias que Deus já o havia dado.

Ele fala como matou o Urso. Ele relata como feriu o Leão. (1 Samuel 17:31.35)

Davi rebate em alta voz as mentiras de satanás e com o martelo da justiça de Deus esmiúça cada tijolo que o inimigo tenta colocar em sua muralha. Neste instante, entendo que para destruir as muralhas que o diabo tenta construir diante de mim eu tenho que tomar DUAS e imprescindíveis atitudes:

1º Atitude: Desviar-se dos maus pensamentos. Fugir de perto deles. Não me permitir em hipótese alguma pensar coisas ruins, negativas, ou derrotistas.

Deus diz:

“Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR, [pensamentos de paz, e não de mal], para vos dar o fim que esperais. (Jeremias 29:11)

2º Atitude: Lembrar-se das vitórias que Deus já lhe concedeu e em alta voz dize-las diante de satanás.

Todas as vezes que o inimigo tentar coloca-lo para baixo dizendo que você é pequeno demais, inexperiente demais, incapaz demais, que não é amado, que não é importante, que não é ninguém. Grite bem alto. Fale mais alto que o diabo. Mostre a ele que Deus já lhe deu vitorias antes e que lhe dará novamente. Que você é um escolhido dEle. E que como Davi, eu e você também podemos ser segundo o coração de Deus.

Quando Davi se apresenta diante de Golias, este era para ele pequeno demais, se comparado ao tamanho do Deus dele. Quando Davi se apresenta diante de Golias não há muralha alguma. Não há barreira. Não há impedimento. Não há dificuldade. O filisteu Golias é apenas um incircunciso.

O jovem Davi compara o filisteu Golias ao Urso e ao Leão que ele anteriormente havia ferido e matado. Para Davi, Golias era só mais um. E assim como Deus o havia dado vitória antes, o daria naquele instante também. (1 Samuel 17:36)

Davi não deixou o diabo construir uma muralha diante dele, portanto, ao invés de Davi ver derrota ele viu vitória. Contrariando os pensamentos do diabo Davi enxergou Deus acima de Golias, pois não havia muralha tapando a visão do menino.

Não deixe que o inimigo crie uma muralha à sua frente. Rejeite seus pensamentos de derrota e de fracasso. Rejeite os tijolos que o inimigo coloca diante de você todos os dias. Não permita que ele construa barreiras à sua frente que o impeçam de ver Deus. Não perca a visão de Deus. Não se desequilibre. Não perca a direção.

Não deixe que o inimigo tape sua visão com suas mentiras. Não deixe que ele faça barulho dentro de você. Escute o “cicio tranquilo e suave” da voz de Deus lhe dizendo:

“[...] com o meu Deus, salto muralhas”. (2 Samuel 22:30b).

Salte as muralhas. Derrube-as ao chão. Destrua todos os tijolos.

Vença.

Deus é com você.
Autor: Sancley Queiroz Silva